| 23.10.2008
A Utilização dos Métodos
de Contenção do Cavalo
A
efetividade do controle de um cavalo está
na sabedoria de quando e como não usar
os métodos de contenção.
As personalidades individuais de cada cavalo
determinam que tipo de contenção
usar. É imperativo que se tenha sensibilidade
para perceber se a reação negativa
(que pode ter vários graus de violência)
do cavalo é relacionada com medo, teimosia
ou um pouco de cada. Em minha experiência,
quando o problema é medo, a paciência
ainda é a melhor abordagem e estes métodos
podem ser deixados de lado.
A
proposta principal da contenção
é a de se obter condições
seguras para que as pessoas possam trabalhar
com cavalos pouco colaborativos, principalmente
quando se quer fazer um procedimento do qual
o cavalo não gosta.
Há
uma gama de enorme de procedimentos por vezes
banais, que em certos animais podem suscitar
reações perigosas: injeções,
curativos, ferrageamento, embarque em veículos,
etc.
O
método mais conhecido é o “cachimbo”,
que existe em variados modelos com a mesma função.
O “cachimbo” é aplicado no
lábio superior e a pressão pode
ser regulada pelo usuário. Deve ser colocado
apenas ao redor do lábio superior e não
atingir as narinas. Jamais deve ser aplicado
nas orelhas por ocasionar lesões irreversíveis.
Muitas pessoas preferem usar as mãos
para contenção por poderem controlar
melhor a pressão. Nesse caso pode-se
utilizar a prega na pele do pescoço (que
requer bastante força nas mãos)
ou segurar em uma das orelhas.
A
maioria dos métodos de contenção
é utilizado na região da cabeça
do animal. Portanto muito cuidado! Nunca fique
na frente do cavalo e sim lateralmente para
evitar cabeçadas e patadas. O local deve
estar calmo e apenas com as pessoas que irão
trabalhar com o animal. Deve existir uma saída
de fácil acesso para todas as pessoas
no caso do animal se tornar incontrolável.
Quem está fazendo a contenção
é responsável pela segurança
dos outros que estão trabalhando com
o cavalo, portanto esta pessoa deve estar atenta
a todas as reações do animal.
Cada
cavalo é um caso e você terá
que testar que tipo de contenção
funciona melhor com cada um. Mas lembre-se:
independentemente de qual seja, a contenção
deve ser aplicada rapidamente, apropriadamente,
com propósito e sem brutalidade. Por
exemplo, se for aplicar o cachimbo labial, faça-o
corretamente. Se mal colocado pode se soltar
e machucar você e o cavalo. E depois não
será tão simples aplicá-lo
de novo. Planeje o procedimento, tenha a mão
tudo o que vai precisar para trabalhar rapidamente
assim que o cavalo for contido e retire a pressão
assim que terminar o trabalho.
Há
várias teorias com relação
ao mecanismo pelo qual os métodos de
contenção cumprem seu papel. Obviamente
são métodos de distração
e decididamente produzem algum grau de dor.
Existem evidências de que a aplicação
da pressão no lábio, orelhas ou
pescoço aumente a concentração
de substâncias químicas analgésicas
na corrente sanguínea. Também
há estudos com relação
à possibilidade de que a pressão
aplicada em certos locais estimule pontos de
acupuntura que tem efeito sedativo.
Independente
de explicações científicas,
a maioria das técnicas de contenção
(quando corretamente utilizadas) melhora o manejo
de animais perigosos ou ariscos e a segurança
das pessoas que trabalham com eles.
Dra.
Adriana Busato é Médica Veterinária,
Professora Adjunta de Equídeocultura
na PUC-PR, Juíza da ABCCH e proprietária
do HARAS FB onde cria BH e Hanoverianos. Apresenta
e compete com seus animais em Salto em Circuito
Nacional Amador.
e-mail: haras_fb@harasfb.com.br |