25.05.2005
Tosando
seu cavalo para o inverno
Conforme
os dias vão encurtando, a redução
do período luminoso desencadeia
o processo de crescimento da pelagem de
inverno nos cavalos. Esse mecanismo ocorre
mesmo que as temperaturas não baixem
muito, como é o caso de alguns
lugares do Brasil porque é relacionado
mais com a luminosidade do que com a temperatura.
É uma excelente proteção
natural para seu animal, mas para você
que pretende continuar trabalhando esse
cavalo durante o inverno, um cavalo transformado
em um “urso” demanda muito
mais cuidados. Requer muito mais escovação
– e nunca fica bonito - e seu cavalo
vai levar muito mais tempo para secar
o suor ou a ducha, mesmo depois de um
trabalho leve, podendo levar a problemas
respiratórios, de pele e ainda
a formação das famosas “carepas”
e frieiras nas patas por excesso de umidade.
A
melhor maneira de manejar a pelagem de
inverno é tosando. Entretanto a
tosa implica em certas responsabilidades.
Uma vez que você retirou a defesa
contra o frio de seu cavalo, você
é responsável pela correta
colocação e utilização
das capas para protegê-lo. Essas
capas podem ser mais leves ou mais pesadas
conforme o local do Brasil onde você
vive, mas devem ser utilizadas principalmente
à noite.
Alguns
proprietários evitam a ocorrência
da pelagem de inverno em climas mais amenos
simplesmente mantendo o cavalo com 10
horas de luz diárias. Isso significa
que se você instalar um timer em
sua cocheira para que ligue uma lâmpada
de 200 Watts um pouco antes do sol se
pôr, mantenha o total de 12 horas
de luz diárias sobre ele e depois
desligue, você não terá
problemas com pelagem de inverno. (Por
exemplo: se o sol nasceu às 7:30h
e se pôs às 17:30h, você
tem 10 horas de luz natural. Assim basta
manter mais 2 horas de luz na cocheira,
ligando às 17:30 e desligando às
19:30h). Essa é uma técnica
que funciona bem de São Paulo para
cima.
Aqui
no Brasil, em geral a tosa é total,
mas na Europa o pessoal tende a tosar
de várias maneiras, deixando algumas
partes com pelo e outras não. A
razão é porque aqui não
é tão frio e os locais onde
o pelo fica longo suam demais e não
ventilam durante o trabalho, demorando
muito tempo para secarem depois. Na Europa
os Clubes possuem “secadores”
de cavalos, com lâmpadas infravermelhas
suspensas, que auxiliam na secagem dos
animais depois do trabalho.
Após
a tosa tenha em mente que seu cavalo poderá
precisar de até três capas.
Uma leve para ficar na cocheira durante
o dia, uma capa anti-suor (aquelas de
tecido furadinho) para secar após
o trabalho e uma mais pesada para a noite.
Pronto
para tosar?
Para
tosar totalmente um cavalo você
precisa de uma tosquiadeira elétrica
robusta de lâmina grande com pentes
finos e uma tosquiadeira pequena para
acabamentos nas patas e cabeça.
Quanto mais forte for a máquina,
mais rápido será feito o
serviço e a menos stress o cavalo
será submetido. Algumas pessoas
compram, alugam essas máquinas
ou contratam o serviço de um tosador
com experiência que cobra em torno
de R$150,00 a R$200,00 pelo serviço.
Você
também precisará de lubrificante
para manter as lâminas limpas e
resfriadas, uma pequena escova de dentes
para limpar os pentes de sujeiras e o
óleo recomendado pelo fabricante
da tosquiadeira para proteger o motor
da máquina e os dentes da lâmina.
Também
serão necessários uma liga
na cola para evitar o movimento do rabo
do cavalo, escovas de cavalo para ir limpando
as áreas tosquiadas, panos limpos
para a cabeça e um fio de extensão
bem comprido e sem emendas.
Antes
de começar, cheque o manual da
sua tosquiadeira para verificar regulagens
e intervalos entre as lubrificações.
A maioria das máquinas grandes
possuem um orifício na frente para
adição do óleo dentro
da máquina. Também aplique
uma fina camada do óleo sobre os
dentes da máquina e ligue-a por
alguns segundos. Repita esse procedimento
a cada 20 minutos enquanto estiver trabalhando.
Limpe os dentes da máquina com
a escova a cada 5-7 minutos de trabalho
e mergulhe o pente no lubrificante.

Passo
a Passo
Se seu cavalo tem a pele fina, você
pode deixar uma manta de pelagem sob a
área da sela para protegê-lo
de lesões produzidas pela fricção
da manta e da sela.
Coloque a sela sem a manta sobre o cavalo
e desenhe com giz envolta da sela (com
ou sem as abas). Na cola, desenhe um “V”
invertido na base da cauda.
Alguns cavalos não gostam do som
da máquina e é uma boa idéia
colocar algodão em seus ouvidos
para mantê-lo mais tranqüilo.
Muitas vezes é necessária
a sedação leve do animal,
que deve ser feita pelo seu veterinário.
Agora que você já mapeou
as partes que não irá tosar,
comece tosando na altura da espádua,
que é a zona de menor sensibilidade.
Corte contra o sentido do nascimento dos
pelos em movimentos longos e cuidadosos.
A partir daí continue para o dorso,
flancos e garupa.
Quando chegar ao pescoço, perto
da crina, deixe uma fina camada de pelo
de inverno próxima à linha
da crina para evitar cortá-la.
Nos redemoinhos, tão comuns no
pescoço, maneje a máquina
para cortar sempre no sentido contrário
ao crescimento dos pelos. Nos locais onde
a pele é mais solta, estique-a
com a outra mão para facilitar
o corte.
A seguir tose as áreas demarcadas.
Mantenha o limite da lâmina sobre
a área demarcada. As patas e o
peito são os locais mais difíceis
em função da pele mais solta
e da estrutura das patas. Nessa hora um
ajudante é necessário para
levantar um dos membros para que você
possa trabalhar nos outros sem que o animal
reaja. Nas patas também corte contra
o nascimento dos pelos.
A
barriga vem por último, porque
nessa hora o cavalo já está
acostumado com o que está acontecendo
e tende a ter menos cócegas. Com
uma das mãos estique a pele e com
a outra maneje a máquina. Mantenha
o ajudante levantando uma das patas para
você principalmente quando estiver
tosando entre as patas traseiras. Essa
é a hora mais perigosa, portanto
fique muito alerta às reações
de seu cavalo para evitar um acidente
e jamais fique ajoelhado embaixo do cavalo.
Para a cabeça, escolha a máquina
menor ou um pente mais fino e inicie sob
a mandíbula e ganacha. Tose todas
as partes maiores antes, deixando para
o final o focinho, olhos e orelhas. Vá
com muita calma envolta dos olhos e proteja
os olhos e cílios com a outra mão.
Para tosar as orelhas, mantenha-as fechadas
com uma das mãos, aponte a lâmina
para cima e corte todo o pelo que estiver
sobrando desde a base até a ponta.
O focinho deve ser tosado com muito cuidado
porque é muito sensível
no eqüino.
Apesar de tudo isso soar simples, requer
algum treinamento e muita paciência.
Assim não comece o serviço
se você não tiver tempo para
terminar com toda a calma. Peça
a ajuda de alguém com experiência
na primeira vez. Faça o trabalho
em um lugar calmo e tranqüilo, conhecido
do cavalo e que você tem certeza
de que continuará calmo por mais
algumas horas.
Não comece logo antes do horário
de seu cavalo comer porque ele ficará
inquieto. Se seu cavalo tem medo da tosquiadeira,
você não poderá tosa-lo
logo na primeira vez, tendo que fazer
vários trabalhos de desensibilização
antes, ligando a máquina perto
dele e passando-a pelo seu corpo sem tosar
até que ele se tranqüilize
com o barulho e ignore a máquina.
7 DICAS PARA UMA MELHOR TOSA:
1)
Um cavalo tosado é muito mais fácil
e higiênico de manter limpo e de
secar após exercícios, mas
ele necessitará de capas para não
pegar um resfriado.
2) Tenha diferentes tamanhos de pentes
à mão e se possível
uma tosquiadeira menor para locais mais
delicados.
3) Sempre comece com seu cavalo limpo
e escovado.
4) Durante a sessão de tosa, limpe
e lubrifique as lâminas e pentes
a cada 5 minutos para resfriá-las
e mantê-las trabalhando com eficiência.
5) Se seu cavalo não está
acostumado com tosquiadeiras, comece com
as menores que são menos barulhentas,
para depois passar para as grandes.
6) Tenha certeza de que o local escolhido
para seu trabalho é calmo e livre
de distrações. Seu cavalo
ficará tranqüilo e você
pode se concentrar e fazer um trabalho
melhor.
7) Se não ficar como você
esperava da primeira vez, não se
desespere. É como um corte ruim
de cabelo! O pelo sempre cresce novamente...
Modelos
de Tosa:

Dra. Adriana Busato é
Médica Veterinária, Professora
Adjunta de Equídeocultura na PUC-PR,
Juíza da ABCCH e proprietária
do HARAS FB onde cria BH e Hanoverianos.
Apresenta e compete com seus animais em
Salto em Circuito Nacional Amador.
e-mail: haras_fb@harasfb.com.br