Tosando
seu cavalo para o inverno
Conforme
os dias vão encurtando, a redução
do período luminoso desencadeia o processo
de crescimento da pelagem de inverno nos cavalos.
Esse mecanismo ocorre mesmo que as temperaturas não
baixem muito, como é o caso de alguns lugares
do Brasil porque é relacionado mais com a luminosidade
do que com a temperatura. É uma excelente proteção
natural para seu animal, mas para você que pretende
continuar trabalhando esse cavalo durante o inverno,
um cavalo transformado em um “urso” demanda
muito mais cuidados. Requer muito mais escovação
– e nunca fica bonito - e seu cavalo vai levar
muito mais tempo para secar o suor ou a ducha, mesmo
depois de um trabalho leve, podendo levar a problemas
respiratórios, de pele e ainda a formação
das famosas “carepas” e frieiras nas patas
por excesso de umidade.
A
melhor maneira de manejar a pelagem de inverno é
tosando. Entretanto a tosa implica em certas responsabilidades.
Uma vez que você retirou a defesa contra o frio
de seu cavalo, você é responsável
pela correta colocação e utilização
das capas para protegê-lo. Essas capas podem
ser mais leves ou mais pesadas conforme o local do
Brasil onde você vive, mas devem ser utilizadas
principalmente à noite.
Alguns
proprietários evitam a ocorrência da
pelagem de inverno em climas mais amenos simplesmente
mantendo o cavalo com 10 horas de luz diárias.
Isso significa que se você instalar um timer
em sua cocheira para que ligue uma lâmpada de
200 Watts um pouco antes do sol se pôr, mantenha
o total de 12 horas de luz diárias sobre ele
e depois desligue, você não terá
problemas com pelagem de inverno. (Por exemplo: se
o sol nasceu às 7:30h e se pôs às
17:30h, você tem 10 horas de luz natural. Assim
basta manter mais 2 horas de luz na cocheira, ligando
às 17:30 e desligando às 19:30h). Essa
é uma técnica que funciona bem de São
Paulo para cima.
Aqui
no Brasil, em geral a tosa é total, mas na
Europa o pessoal tende a tosar de várias maneiras,
deixando algumas partes com pelo e outras não.
A razão é porque aqui não é
tão frio e os locais onde o pelo fica longo
suam demais e não ventilam durante o trabalho,
demorando muito tempo para secarem depois. Na Europa
os Clubes possuem “secadores” de cavalos,
com lâmpadas infravermelhas suspensas, que auxiliam
na secagem dos animais depois do trabalho.
Após
a tosa tenha em mente que seu cavalo poderá
precisar de até três capas. Uma leve
para ficar na cocheira durante o dia, uma capa anti-suor
(aquelas de tecido furadinho) para secar após
o trabalho e uma mais pesada para a noite.
Pronto
para tosar?
Para
tosar totalmente um cavalo você precisa de uma
tosquiadeira elétrica robusta de lâmina
grande com pentes finos e uma tosquiadeira pequena
para acabamentos nas patas e cabeça. Quanto
mais forte for a máquina, mais rápido
será feito o serviço e a menos stress
o cavalo será submetido. Algumas pessoas compram,
alugam essas máquinas ou contratam o serviço
de um tosador com experiência que cobra em torno
de R$150,00 a R$200,00 pelo serviço.
Você
também precisará de lubrificante para
manter as lâminas limpas e resfriadas, uma pequena
escova de dentes para limpar os pentes de sujeiras
e o óleo recomendado pelo fabricante da tosquiadeira
para proteger o motor da máquina e os dentes
da lâmina.
Também
serão necessários uma liga na cola para
evitar o movimento do rabo do cavalo, escovas de cavalo
para ir limpando as áreas tosquiadas, panos
limpos para a cabeça e um fio de extensão
bem comprido e sem emendas.
Antes
de começar, cheque o manual da sua tosquiadeira
para verificar regulagens e intervalos entre as lubrificações.
A maioria das máquinas grandes possuem um orifício
na frente para adição do óleo
dentro da máquina. Também aplique uma
fina camada do óleo sobre os dentes da máquina
e ligue-a por alguns segundos. Repita esse procedimento
a cada 20 minutos enquanto estiver trabalhando. Limpe
os dentes da máquina com a escova a cada 5-7
minutos de trabalho e mergulhe o pente no lubrificante.
Passo
a Passo
Se seu cavalo tem a pele fina, você pode deixar
uma manta de pelagem sob a área da sela para
protegê-lo de lesões produzidas pela
fricção da manta e da sela.
Coloque a sela sem a manta sobre o cavalo e desenhe
com giz envolta da sela (com ou sem as abas). Na cola,
desenhe um “V” invertido na base da cauda.
Alguns cavalos não gostam do som da máquina
e é uma boa idéia colocar algodão
em seus ouvidos para mantê-lo mais tranqüilo.
Muitas vezes é necessária a sedação
leve do animal, que deve ser feita pelo seu veterinário.
Agora que você já mapeou as partes que
não irá tosar, comece tosando na altura
da espádua, que é a zona de menor sensibilidade.
Corte contra o sentido do nascimento dos pelos em
movimentos longos e cuidadosos. A partir daí
continue para o dorso, flancos e garupa.
Quando chegar ao pescoço, perto da crina, deixe
uma fina camada de pelo de inverno próxima
à linha da crina para evitar cortá-la.
Nos redemoinhos, tão comuns no pescoço,
maneje a máquina para cortar sempre no sentido
contrário ao crescimento dos pelos. Nos locais
onde a pele é mais solta, estique-a com a outra
mão para facilitar o corte.
A seguir tose as áreas demarcadas. Mantenha
o limite da lâmina sobre a área demarcada.
As patas e o peito são os locais mais difíceis
em função da pele mais solta e da estrutura
das patas. Nessa hora um ajudante é necessário
para levantar um dos membros para que você possa
trabalhar nos outros sem que o animal reaja. Nas patas
também corte contra o nascimento dos pelos.
A barriga vem por último, porque nessa hora
o cavalo já está acostumado com o que
está acontecendo e tende a ter menos cócegas.
Com uma das mãos estique a pele e com a outra
maneje a máquina. Mantenha o ajudante levantando
uma das patas para você principalmente quando
estiver tosando entre as patas traseiras. Essa é
a hora mais perigosa, portanto fique muito alerta
às reações de seu cavalo para
evitar um acidente e jamais fique ajoelhado embaixo
do cavalo.
Para a cabeça, escolha a máquina menor
ou um pente mais fino e inicie sob a mandíbula
e ganacha. Tose todas as partes maiores antes, deixando
para o final o focinho, olhos e orelhas. Vá
com muita calma envolta dos olhos e proteja os olhos
e cílios com a outra mão. Para tosar
as orelhas, mantenha-as fechadas com uma das mãos,
aponte a lâmina para cima e corte todo o pelo
que estiver sobrando desde a base até a ponta.
O focinho deve ser tosado com muito cuidado porque
é muito sensível no eqüino.
Apesar de tudo isso soar simples, requer algum treinamento
e muita paciência. Assim não comece o
serviço se você não tiver tempo
para terminar com toda a calma. Peça a ajuda
de alguém com experiência na primeira
vez. Faça o trabalho em um lugar calmo e tranqüilo,
conhecido do cavalo e que você tem certeza de
que continuará calmo por mais algumas horas.
Não comece logo antes do horário de
seu cavalo comer porque ele ficará inquieto.
Se seu cavalo tem medo da tosquiadeira, você
não poderá tosa-lo logo na primeira
vez, tendo que fazer vários trabalhos de desensibilização
antes, ligando a máquina perto dele e passando-a
pelo seu corpo sem tosar até que ele se tranqüilize
com o barulho e ignore a máquina.

7 DICAS PARA UMA MELHOR TOSA:
1)
Um cavalo tosado é muito mais fácil
e higiênico de manter limpo e de secar após
exercícios, mas ele necessitará de capas
para não pegar um resfriado.
2) Tenha diferentes tamanhos de pentes à mão
e se possível uma tosquiadeira menor para locais
mais delicados.
3) Sempre comece com seu cavalo limpo e escovado.
4) Durante a sessão de tosa, limpe e lubrifique
as lâminas e pentes a cada 5 minutos para resfriá-las
e mantê-las trabalhando com eficiência.
5) Se seu cavalo não está acostumado
com tosquiadeiras, comece com as menores que são
menos barulhentas, para depois passar para as grandes.
6) Tenha certeza de que o local escolhido para seu
trabalho é calmo e livre de distrações.
Seu cavalo ficará tranqüilo e você
pode se concentrar e fazer um trabalho melhor.
7) Se não ficar como você esperava da
primeira vez, não se desespere. É como
um corte ruim de cabelo! O pelo sempre cresce novamente...
Modelos
de Tosa:

Dra.
Adriana Busato é Médica Veterinária,
Professora Adjunta de Equídeocultura na PUC-PR,
Juíza da ABCCH e proprietária do HARAS
FB onde cria BH e Hanoverianos.
Apresenta e compete com seus animais em Salto em Circuito
Nacional Amador.
e-mail: haras_fb@harasfb.com.br