| UTILIZAÇÃO
DO P S I NO HIPISMO
1.Tornaram-se verdades absolutas duas regras que, atualmente,
regem o hipismo brasileiro:
- cavalo para salto só se for BH ou importado da Europa;
- cavalo para adestramento só se for lusitano ou importado
da Europa.
2.Tais verdades estão absolutamente corretas se o futuro
proprietário do animal estiver enquadrado nas situações
abaixo:
- tiver muito dinheiro sobrando;
- não tiver tempo para iniciar um cavalo;
- não souber iniciar um cavalo.
3. Não resta a menor dúvida que comprar um cavalo
pronto para entrar em competição é muito
mais agradável e muito menos desgastante do que ter
de iniciar o cavalo, empistá-lo e após todo
este período de trabalho verificar que o cavalo não
reúne as condições que nós desejaríamos
para o nosso animal de competição.Tal situação
pode ser minimizada se houver um mínimo critério
na escolha do animal, como veremos adiante.
Em decorrência de tal realidade ficou relegado a plano
secundário um mercado que durante muito tempo foi o
principal fornecedor de animais para o hipismo (Adestramento,
Concurso Completo de Equitação, Pólo
e Salto de Obstáculos). Refiro-me especificamente ao
animal puro sangue inglês (PSI) ou mestiço de
puro sangue inglês.
Por largo tempo acompanhei a transformação de
animais PSIs oriundos do Jóquei Clube Brasileiro que
eram levados para a Sociedade Hípica Brasileira e mais
tarde, sem fazer um único exercício de exterior,
se constituíram em excelentes saltadores.
4.Durante mais de quarenta anos pude montar e ver, montados
por outros cavaleiros, excelentes animais PSIs ou quase puros
competindo, com pleno sucesso, no adestramento, concurso completo
de equitação, pólo e salto de obstáculos.
5.As Comissões de Compra de Animais (CCA) do Exército
e das Polícias Militares iam ao Rio Grande do Sul,
com muita freqüência , para comprar animais, que
na sua maioria esmagadora tinham um percentual entre 50% e
100% de sangue inglês.Recordem quantos cavalos com C
maiúsculo tiveram origem em tal processo de seleção.Todas
as estâncias no Rio Grande possuíam, pelo menos
um reprodutor PSI que era o responsável pela melhoria
genética do seu rebanho eqüino, em termos de altura,
conformação física e aumento do valor
agregado.Um cavalo crioulo com altura de 1,40m não
podia ser comprado por estar abaixo da altura mínima
(1,45m), ao passo que um mestiço de PSI com crioulo
de 1,50m era comprado de imediato.
6. “Em todas as raças de cavalos desportivos
internacionais e assim deveria ser no BH (ainda não
é), o PSI obrigatoriamente entra com 1/8 do pedigree
e o ideal é que tal percentual seja de pelo menos 1/4.
A razão dessa obrigatoriedade decorre da capacidade
do PSI influenciar todas as raças destinadas ao esporte,
imprimindo com facilidade qualidades como a amplitude do galope,
sangue, coragem e atitude aguerrida. Na Europa 15% dos garanhões
das grandes Associações de Raça aprovados
anualmente são PSIs , que são testados para
temperamento, capacidade de salto, higidez e anda-duras exatamente
como os outros candidatos a garanhões. Esses animais
são continuamente utilizados no refinamento e manutenção
daquele 1/4 de sangue PSI necessário para a qualidade
da raça dos cavalos desportivos como um todo.
7.No BH, a seleção começou invertida:
éguas PSIs (muitas vezes de péssima qualidade)
e garanhão pesado importado o que ocasionou , no início
da formação da raça, uma enorme carga
de PSI que redundou em cavalos de temperamento ruim e com
muitos problemas físicos. Culpa do PSI? Absolutamente
não.Culpa da seleção equivocada das matrizes
ideais para a cobertura. Por conta de tal realidade instituiu-se
na criação do BH uma “fobia” ao
PSI. A grande maioria dos criadores baniu o PSI de seus cruzamentos
, obtendo então grande quantidade de animais sem vida,
desengonçados e extremamente tardios que observamos,
ainda hoje, oferecidos ao mercado consumidor.
8.Existem linhagens de PSIs, claramente identificadas, que
dão origem a excelentes cavalos para utilização
no esporte. Essas linhagens são amplamente conhecidas
pelos criadores mais atualizados e basta um pouco de estudo
e bom senso para que possamos escolher um animal puro sangue
inglês com todas as condições de competir
com os cavalos europeus em pé de absoluta igualdade.
9. A título de ilustração colocamos,
como anexo, o pedigree de BALOUBET DU ROUET. Observem que
dos 62 reprodutores constantes do seu pedigree 23 são
animais PSI(AZUL) e 15 são animais que realizaram corridas
de trote na Europa(AMARELO) e apenas 10(VERDE) são
animais Sela Francês”.
10.A grande dificuldade da escolha de um animal PSI, para
sua utilização no esporte hípico, decorre
de uma constatação muito simples:
- A seleção do animal PSI selecionado para reprodutor
nos grandes haras é baseada principalmente na performance
do cronômetro. Se o cavalo foi um bom corredor fatalmente
irá para a reprodução. A importância
dos seus aprumos, do seu tipo físico fica em plano
nitidamente inferior aos resultados obtidos pelo animal nas
pistas de corrida.Em conseqüência de tal fato fica
excluído da reprodução com as matrizes
de melhor qualidade, nos haras destinados às carreiras,
um grande número de animais PSI com tipo físico,temperamento,
aprumos e conformação privilegiada para a utilização
no hipismo. A fobia do BH, como já vimos,impede, infelizmente,
que tais animais sejam utilizados nos criatórios de
cavalos para hipismo, salvo as exceções de praxe.
11. Na escolha do cavalo PSI para o salto o diferencial entre
a boa e a má opção é o gesto das
espáduas. Quanto mais avançado estiver o centro
de gravidade de um PSI maior deve ser sua velocidade. Tal
fato explica o forte apoio que o animal PSI deposita na mão
de quem o monta durante as corridas ou logo após deixar
de correr; o animal PSI, no início do trabalho de iniciação
hípica tem como características principais estar
com as espáduas enterradas e debruçado na mão
do cavaleiro.
Em síntese se o PSI levantar as espáduas , tiver
uma estrutura óssea compatível com a futura
destinação (não pode ter os membros muito
finos, vulgarmente conhecidos como canelas de vidro) e não
tiver lesões ósseas ou tendinosas decorrentes
de sua utilização anterior nas corridas, podemos
trabalhá-lo certos de que será um bom saltador.
12. No adestramento verificamos as andaduras do PSI e seu
temperamento. Se não transpistar nitidamente ao passo
desista e parta para outra escolha.
13.Selecionei algumas fotos que evidenciam as qualidades do
atleta PSI empregado como cavalo de salto, concurso completo
ou de adestramento; observe as fotos e decida se vale ou não
vale a pena pagar cerca de R$ 3000,00 por um PSI em final
de campanha com 4 ou 5 anos de idade, perfeitamente musculado
e pronto para ser iniciado em qualquer das disciplinas eqüestres.Verifique
as fotos e veja se é necessária alguma coisa
além do que está mostrado para se obter um bom
cavalo de hipismo. Atentem para o detalhe que nenhum dos cavaleiros
e amazonas mostrados nas fotos é profissional, fato
que valoriza de maneira extrema-mente significativa as diversificadas
aptidões do animal PSI.
14.O fato do animal oriundo dos diferentes criatórios
de BH já estar saltando em liberdade ou mesmo montado
pouco significa e não garante que o futuro comprador
vai conseguir saltar da mesma maneira que está exibida
na foto do catálogo. Lembre-se que tais animais são
iniciados e trabalhados por profissionais, com todas as vantagens
e inconvenientes causados por tal situação
15.Quanto maior a quantidade de produtos oferecidos por um
haras criador de BH maior a possibilidade de serem negociados
animais com deficiências na doma o que se constituirá,
sem dúvida, em problema insolúvel no futuro;
fato que pode ser comprovado com facilidade aqui mesmo na
SHPr.
16.Afianço, por oportuno, que não tenho qualquer
preconceito ou ranço contra o BH; pelo contrário,
a determinação e o investimento dos criadores
de BH alavancaram nosso hipismo de maneira incontestável
como comprovam as medalhas obtidas por nossas equipes em jogos
Pan Americanos e Olimpíadas, bem como, principalmente,
as atuações brilhantes de nossos BH nos Campeonatos
Mundiais de Cavalos Novos. 17.Em meu caso particular estou
na situação oposta àquela enunciada no
parágrafo 2 da presente trabalho:
- não possuo dinheiro de sobra;
- possuo tempo para iniciar um cavalo;
- sei iniciar um cavalo; por tudo isso optei pelo PSI.
Carlos
da Rocha Torres
Instrutor de equitação
NOTA
O presente trabalho foi revisado e enriquecido pela experiência
profissional da Drª Adriana Busato; Coordenadora do Curso
Superior de Ciências Eqüinas da PUC/PR e consagrada
criadora de animais BH através do Haras FB.
FOTOS DE ANIMAIS PSIs OU MESTIÇOS DE PSI EM
TRABALHO DE ADESTRAMENTO,
CONCURSO COMPLETO DE EQUITAÇÃO OU SALTO DE OBSTÁCULOS.
|